quinta-feira, 17 de novembro de 2011

PARIS!



Assim, eu ganhei as passagens e estadia para Paris. Sabe aquela coisa que a gente nem acredita? Pois é. Desse jeito – um sonho!
-  Olha, só que tem conexão em New York. – ele avisou.
- Como é que é?!
- Você vai descer em New York e pegar o voo para Paris. – tão simples e eu não tinha entendido da primeira vez?
O caso é que a coisa já tinha virado pesadelo.
Eu nunca, nunquinha, desejei ir para os EUA e agora tinha que tirar visto só para passar por lá! Só para mudar de vôo! Isso, porque nem imaginei nas horas de voo sentada num desconfortável banquinho de avião.
Mas, vá lá. Visto tirado, passaporte na mão, só imaginando chegar em Paris, a maravilhosa Paris, a cantada Paris, a desejada Paris!
O maldito vôo não para em NY.
Sei lá por qual motivo, a coisa para em outro aeroporto, próximo a NY por um problema que não consegui entender – ou não quis entender, qualquer das alternativas é irrelevante. Fomos instruídos de que o nosso vôo iria seguir para Paris, sim, e que estaria nos esperando naquele mesmo aeroporto – menos mau...
Seria menos mau, se a coisa não parasse também em NY para pegar uns passageiros por lá. Raios! Por que não parou lá logo de uma vez?! Mas eles tinham dito o motivo e eu não quis saber, não é? Tá...
Vamos para Paris! Maravilhosa Paris!
Um voo cansativo e longo. Fiquei imaginando do porque a passagem ser mais barata para me manter presa num avião, gastar mais combustível, do que num voo direto. Isso, sem falar no desgaste emocional e psicológico.
Mas, enfim, estaria em Paris.
Daí, que desci no Charles de Gaulle.
Sabe, quando eu era pequena, sempre imaginei os aeroportos como uma coisa fantástica, mas quando crescI e comecei a usar avião como meio de transporte, percebi que a coisa vai ficando meio tudo igual, tudo meio sem graça, não importa onde estivesse, que país fantástico, que cidade estivesse. Sempre iria existir aqueles carrinhos de carregar malas, as esteiras com as suas bagagens, as indicações em inglês e na língua nacional, os Bancos eletrônicos,  os Cafés, gente igual a mim andando de um lado a outro. E eu nem olho direito a arquitetura da coisa, porque é  a última coisa que eu quero ver depois de um voo horroroso de horas e horas. Quero mais chegar nessa... Paris.
Outra coisa – sempre que ouvi falar em Paris foi em tom de coisa maravilhosamente fantástica, perfume, cores, tudo surpreendente. Então, criei aquela fantasia em minha cabeça, como se Paris fosse coisa de outro mundo. Tá, vai ter gente que vai dizer que é, mesmo, principalmente os preços. Mas, não é disso que estou falando.
Eu imaginava um tapete de flores em que você iria pisando e o perfume das flores iria se desprendendo e eu iria às nuvens de felicidade e prazer. Sabe esse tipo de fantasia? Pois é, coisa assim.
Então, eu mal peguei a minha bagagem, nem procurei saber onde era o ponto de táxi, nem vi nada direito à minha volta  - queria mais é sair dali e, finalmente, botar os pés naquela cidade.
As portas automáticas se abriram e eu pisei no primeiro pedaço de chão e olhei o céu cinzento e tudo meio molhado à volta. Do chão se desprendia um cheiro ruim.
O primeiro pensamento que eu tive foi: ninguém vai acreditar que eu fui à Paris e a primeira coisa que senti foi cheiro de banheiro.
O sentimento era de que tinha viajado até o Egito, sido deportada porque não tinha visto e a passagem era errada e viajado novamente para o Brasil, numa cidadezinha do interior, e descido numa rodoviária, justamente perto do banheiro.
Agora me digam: isso não é um pesadelo?!
Também achei! Então, tratei de acordar. 
É! Eu disse que era um sonho, não disse? Desde quando se ganha uma passagem, com estadia e tudo para Paris sem fazer nada e sem dar um tostãozinho?

Foto tirada daqui

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