Tem coisas que a gente lê e acha que
é anedota, que é coisa inventada, de tão surreal que é. Então, minha sogra vem
aqui em casa e conta os “causos” de família. Dela, mesmo, tem até o dia em que
ela plantou moedas para crescer árvore de dinheiro, mas isso é outra história.
O que eu quero contar, na verdade, é
sobre uma tia, cunhada da sogra.
Eu cheguei a conhecê-la
pessoalmente. Simpaticíssima, carismática, simples e... rica. Quatro
ingredientes que, numa pessoa só, rende muitas histórias.
Daí que essa tia, há tempos atrás,
quando o Rio de Janeiro ainda não era a cidade do Rock, foi passear por lá.
Na sua simplicidade, passeava de
ônibus para lá e para cá. Na sua riqueza, andava com tudo o que tinha direito,
inclusive com seu relógio “carésimo”, que era uma verdadeira jóia.
E, numa dessas viagens de ônibus com
uma amiga, um rapazinho ao entrar no ônibus deu um encontrão com ela. Provavelmente
um ônibus lotado.
- Que horas são? – perguntou a
amiga, perdida no tempo, numas férias deliciosas no Rio de Janeiro.
- São... Cadê meu relógio?! – ao verificar
o braço vazio de sua jóia preferida – Já sei.
Olhou e achou o rapaz que tinha dado o encontrão
com ela. Foi até ele, colocou a mão no bolso e, com o dedo duro, cutucou o
rapaz no lado e sussurrou:
- Passe o relógio agora mesmo ou você
morre. Passe logo. Coloque no meu bolso e nem olhe. Caladinho.
O rapaz, mais que depressa, nem
acreditando que aquela senhora tão fina pudesse estar armada, nem pensou duas
vezes – colocou o relógio no bolso dela e no ponto seguinte desceu.
Ela, nem olhou no bolso, porque
bastava ser roubada uma vez. Só foi fazer isso quando finalmente entrou no
apartamento, segura de que nenhum marginal iria assaltá-la.
Foi ali, no seu refúgio, que tirou
do bolso um relógio masculino. O seu estava na pia do banheiro, onde ela se
lavara depois do almoço, antes de sair de casa.
Segundo a minha sogra, ela passou o
resto das férias com o relógio “roubado” no bolso procurando o rapazinho para
devolvê-lo.

5 comentários:
Rsrsrsrs
Estou rindo até agora.
É realmente hilário esse post.
Beijos!Boa semana!
Esta é absolutamente deliciosa. Nem sabe o que ri. Aliás ainda estou rindo. ahahaha.
Mi,
fui crescendo junto com a história e imaginando o final... e você, ah... você sempre me surpreende!
me deu saudades dos casos e das histórias que meus avós me contavam!
um beijo!
Caramba... rsrsrsrs
Aposto que era a bisavó do Cap. Nascimento!..rsrs
ESTRELA Ela era hilária. :)
VITOR Toda vez que escuto essa história eu rio.
M.M. Ah, as histórias dos avós... essas são deliciosas e inesquecíveis.
ANDERSON Não, não era a bisavó do Cap. Nascimento, mas tia do meu marido. :D. Era divertidíssima! :)
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