
Ser “dona da razão” dá um trabalho danado. Há quem diga que já nasceu assim, mas não é bem isso.
Quem já tem esse espírito, essa alma de “dona da razão”, pode ter certeza que vai ser aquela pessoa vasculhadora de livros, cheia dos “por quês”, qualquer resposta não convence, o porque sim não é resposta, da mesma forma que o porque não. Vai fazer cursos diversos, sem qualquer relação um com o outro, vai trabalhar em coisas mais diversas ainda, vai conversar com pessoas das mais diversas áreas, vai questionar o “inquestionável” e vai querer respostas.
Ser “dona da razão” não implica com os humildes, principalmente quando vê nele um “dono da razão” que não teve oportunidade para se desenvolver na sua plenitude – vê nele um igual e, se fosse possível, faria de tudo para que pudessem conversar como iguais.
Ser “dona da razão” não admite ser questionada, mas ama um debate justo e aberto em que possa mudar de opinião em bases sólidas e convincentes. Mas é mais fácil ser excluída do que conseguir um debate à sua maneira.
Ser “dona da razão” não exclui sentimentos. Pelo contrário, está muito atenta a eles para não passar dos limites, ou, pelo contrário, passar para poder ter o domínio da situação, quando vê que se deixar a coisa do jeito que está, vai tudo para o brejo.
Ser “dona da razão” tem sentimentos, mas que ninguém esta intessado em saber, porque estão preocupados demais em defender suas próprias razões e sentimentos.
Ser “dona da razão” também tem sérios problemas, mas que ninguém percebe, porque ela, acreditam, sabe se defender muito bem sozinha. E, acreditem, é exatamente isso que ela vai fazer.
A “dona da razão” também cansa desse estereótipo, e também se cansa dessas pessoas que, ao final, sempre vão perguntar o que devem ou não fazer.
A “dona da razão” um dia também vai fechar as portas, e os olhos, e a boca, e os ouvidos - porque está cansada de ter se esforçado tanto, para aprender tanto, para simplesmente ser chamada “dona da razão”, nascida e criada do nada.
E o maior defeito da “dona da razão”, não é achar que tenha razão em tudo, mas sim que sua mágoa vira desprezo. Mágoa que carrega há anos, sem explicação, talvez porque nascida e criada do nada. E desprezo é um sentimento tão vazio... tão vazio... Tão vazio quanto ter nascido e ser criada do nada. E o nada é imensamente vazio e profundo.
1 comentários:
Tem toda razão! rs
Mas às vezes, funciona a sugestão:
"passa uma água na mágoa, que passa!"
E o Nada é poderoso criador de Tudo, a matéria no espaço!
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