Como os seus amigos diziam a seu respeito, sua
praia não era o mar. Metia-se sem medo naquela mata-de-meu-deus e ficava por
ali uns dias sem dar notícias a ninguém.
No começo as pessoas se preocupavam – na verdade,
os amigos que contavam com ele para ir para uma praia mais agitada. Afinal ele
sempre foi o líder em muita coisa, como é que não iria à praia com eles?!
O caso é que se acostumaram com isso e nem mais o
chamavam quando o feriado se estendia, ou quando as férias chegavam. Com
certeza o convite seria recusado e ele sumiria do mapa por um tempo e nunca
ninguém saberia onde exatamente ele fora.
Então, sem que ninguém pudesse suspeitar, sem
aviso, ele apareceu na praia.
Ele percebeu primeiro os olhos arregalados de
incredulidade, depois o festejo pela sua presença e, finalmente, a indecisão do
que fazer já que ele estava por ali.
Era uma coisa estranha para todos. Acostumados que
estavam a não estar com ele na praia em dias longos, faziam o que bem entendiam
e não se preocupavam com sua opinião. Mas, agora, tudo mudava e o
constrangimento era evidente. Não tinha como não sentir nem mesmo ignorar.
Assim, do mesmo modo que ele foi, sem mais partiu
para a sua praia.
Dizem que foi uma despedida. Outros dizem que, na
verdade, ele nunca estivera ali, mas somente o seu espírito. Outros, mais
céticos, e que nada viram, dizem que tudo não passa de lenda.
O fato é que desde aquele dia ninguém mais sabe
dele. Sumiu. Afogou-se no seu mar, na sua praia.
Tem gente que acredita que ainda vai aparecer. Tem
gente que também acha que devem ir atrás dele, mas contra isso pesa o fato de
absolutamente ninguém saber para onde, afinal de contas, ele foi.
Eu, particularmente, acredito que ele achou o que
tanto procurava. O que? Não sei, mas isso pouco importa agora que ele nem está
aqui para concordar ou discordar de mim e de todos.


