Hoje, enquanto a conexão não é liberada, fiquei pensando a respeito de tudo o que a blogosfera significou para mim desde final de 2006, quando entrei nela.
Não entrei como a grande maioria, já fazendo seus blogs, mas como comentadora de vários, como Daniel Moraes, que afinal, foi quem me apresentou à blogosfera. Daí a comentar em todos os blogs linkados no dele foi um passo.
E o pessoal começou a reclamar, porque eu comentava e nem blog eu tinha.
Era o começo de uma fase pessoal difícil, estranha, que eu jamais pensava em passar.
Surpreendentemente, foi exatamente nas amizades virtuais que consegui o maior apoio e liberdade para expor o que estava sentindo e passando. Alguns amigos, por mais distantes e por mais silenciosos que estejam agora, serão sempre inesquecíveis.
Na blogosfera eu colocava os meus contos, a minha parte criativa que parecia que tinha sido "eletrificada" com o meu "problema".
Durante estes anos, alimentei o meu blog, aumentei o número de amigos, alguns deles deixaram de ser virtuais para serem reais, daqueles que é gostoso abraçar, rir junto, chorar junto. Daqueles que a gente tem o telefone, endereço e convite para ficar em casa. Daqueles que a gente viaja só para jantar junto e ouvir a risada gostosa. Daqueles que a gente encontra mais de uma vez e sempre se surpreende, deliciosamente, que está vendo aquela criatura sumida. Daqueles que, embora não tenha apertado nem mesmo as mãos, sabe que, se atravessar o Atlântico vai estar lá esperando.
Entretanto, tudo tem um ciclo na nossa vida. E acredito que o da blogosfera, para mim, está encerrado.
Os meus amigos sempre serão meus amigos. E sempre haverá oportunidade para nos reencontrarmos.
Encerro aqui o Caldeirão da Bruxa com um agradecimento a todos que sempre vieram dar uma espiada ao que estava sendo preparado – contos, "novelinhas", opinião. Nem sempre agradou – nem sempre acerto na quantidade de sal ou ingredientes corretos. Mas sempre teve alguém por aqui.
Outro dia alguém disse que blog não deixa de ser uma coisa para exibicionistas. Concordo em parte – se eu não fosse esse tanto exibicionista não teria esse tanto de amizade tão diversa. Se eu não sou capaz de fazer amizades sem internet? Sou. Quem me conhece sabe que sou. Mas também sabe que sou capaz de falar sobre tudo, menos sobre o que me aflige.
E por isso Caldeirão chega ao fim – cumpriu a sua finalidade.
Agora é hora de uma nova etapa.
A todos, um beijo enorme da Senhora Bruxa.


